IdeiaSuturadas
Aqui as ideias já caíram e sempre cairão. São ideias pequenas, ideias minúsculas, algumas apenas poeira difusa, nenhuma de interesse.

05 Fevereiro 2011

 

Este mimo do Expresso vai, com a certeza toda, fazer o Engenheiro cá do sítio afirmar que o Governo está a fazer o trabalho de casa (expressão por ele querida), tirando-nos a nós, crentes portugueses, um enorme peso de cima. Agora é que é.

 

 

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 08:53
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04 Fevereiro 2011

 

No fim de mais cinco anos de mandato, será que o Prof. Aníbal Cavaco Silva vai ter um pouco de vergonha, quiçá esta o tome pela idade, ou continuará a afirmar que não tem mesmo culpa nenhuma da situação deplorável do país?

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 14:42

04 Fevereiro 2011

Steve Lehman actou na Culturgest no passado dia 26 de Janeiro, concerto no qual marquei presença. Descobri uma música inebriante, vanguardista e extremamente cativante que me fez balançar na cadeira pouco confortável.

Durante o concerto Steve Lehman trocou algumas palavras com o público e fez um desabafo, disse que na Europa só em Portugal é que ouvem a música que ele faz; o que ele não sabe é que no resto da Europa toda a gente tem muitos preconceitos relativamente ao seu apelido.

 

 

 

 

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 14:01

29 Julho 2010

 

E posso usar argumentos que, de tão pungentes, deixam o entrevistador a chorar com uma pena disfarçada de mim?

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 08:38
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29 Julho 2010

 

Se eu algum dia for constituído arguido ou for acusado em um qualquer processo, será que também me querem entrevistar num qualquer meio de comunicação social para eu dizer, convictamente, que sou inocente?

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 08:33

28 Julho 2010

 

Se, como disse o nosso excelentíssimo e tão querido Primeiro Ministro, a "verdade vem sempre ao de cima", não seria útil que Cândida de Almeida, directora do DCIAP, fosse um pouquinho mais alta?

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 14:10

28 Julho 2010

 

Ontem recebi em casa, juntamente com umas luvas que comprei para o frio que aí vem, um despacho daquela Sr.ª muito aperaltada do Ministério Público informando-me que o processo onde era acusado de favorecer o meu tio na aquisição de um arado, isto por alegadamente o ter deixado passar à frente na fila de compra e por se tratar de o último arado, tinha chegado e cito: "(...) a bom porto"; já serviram para alguma coisa aqueles vinte euros que recebi do Joaquim do talho para fechar os olhos a uma carne fora do prazo.

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 13:23

29 Abril 2010

No cenário, de plena campanha eleitoral, há o aparato normal de microfones, câmaras, luzes, pessoas que apenas querem mostrar meia cara na televisão atrás do discursador e um interlocutor assertivo. O assunto é a imigração e as reacções, como resposta, do nosso primeiro-ministro podem ser:

 

a) A senhora é tão porreira, pá, e levanta problemas tão inadequados.

b) O que diz é uma calúnia, é falso, é informação travestida. Não tem fundo de verdade e, por isso mesmo, será por mim processada.

c) Minha senhora não quer ir brincar com o Magalhães do seu netinho?

d) Imigrante é a sua tia!

e) Santos Silva, Vitalino Canas, malhem nesta senhora por favor.

 

Aceito mais contribuições para enriquecer este argumento e mostrar aos gentleman ingleses como se mantém o nível de uma conversa quando discordamos do que nos dizem.

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 15:30

29 Abril 2010

Foram descobertos pedaços de madeira que terão, eventualmente, pertencido à Arca de Noé, o que para mim é uma notícia excitante e oportuna. Numa altura em que tudo parece querer colapsar (o estado da economia está cada vez mais deteriorado, o equilíbrio ambiental está como nunca posto em causa e sobre nós desabam constantes catástrofes), é revigorante este revivalismo de uma outra época de caos e morte. Saber que meia dúzia de nós pode sobreviver é um enorme alívio.

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 14:17

21 Abril 2010

Hoje falo-vos de futebol, daquele desporto que os intelectuais desprezam e que dizem servir o propósito de entreter os acéfalos, mas que o Povo, essa ideia de quase todo, ama.

Como visitante actuou a que é considerada, de forma unânime e peremptória, a melhor equipa do mundo, aquela que, em teoria, vencerá todos os embates que dispute, por ser quase tudo o que uma equipa de futebol pode ser, por ser quase perfeita. O seu opositor, a jogar em casa, o Inter de Milão, a equipa muito pouco perfeita, que vai jogando a espasmos consoante as necessidades, mas a equipa de José Mourinho. Antes do início do prélio eu, como tantos outros, apontávamos o Barcelona como vencedor, não por crença, não por uma fé cega, tão comum no futebol, mas por termos feito uma análise racional dos valores em confronto. No entanto, neste embate haveria, inevitavelmente, um factor desequilibrador, uma variável demasiado variável de tão previsível que é para proporcionar surpresas, José Mourinho, o auto-intitulado Special One. Restava saber se o génio, a destreza mental, a subtileza de José Mourinho chegavam para levar de vencida a melhor equipa do mundo.

O jogo confirmou que, no que toca a inteligência no futebol, José Mourinho é, actualmente, o seu expoente máximo, uma mente genial que engendra aquilo a que se pode chamar realidade subjugada, a realidade que o satisfaz e que parece favorecer a sua conquista. O Inter de Milão ganhou ontem porque soube perceber que as engrenagens necessitam de todas as peças para funcionar e, se uma for retirada, o mecanismo colapsa, sujeitando-se a uma moção sem sentido que, inexoravelmente, culminará numa inércia própria do cansaço. No Barcelona essa peça é Xavi; Messi é a força bruta do virtuosismo que depende da cadência que, atrás, Xavi seja capaz de impor, é ele que define os ritmos, que mostra à equipa, constantemente, o caminho; não há como não perceber que o Inter ganhou ontem, à melhor equipa do mundo, porque de alguma forma foi capaz de subtrair Xavi do jogo. O que mais impressiona é a capacidade de o fazer sem recorrer a uma marcação individual claramente identificada.

No fundo um dos mais importantes jogos do ano foi decidido através do uso da inteligência ímpar de um português que, ao contrário do que o Sr. Presidente da República fez em Praga, nos mostra que não é com sorrisos embaraçados e impotentes que os problemas se resolvem, mas sim com um trabalho hercúleo de potenciação dos valores com os quais se trabalha.

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 13:24

16 Abril 2010

 

Falou-se de défice em Praga; aliás, brincou-se com o défice em Praga porque, dizem por aí (estou certo que só nos pasquins reprimidos e mal resolvidos), o de Portugal é bastante grande, enorme até. No mundo há já quem de nós tenha medo e, não fosse a fronteira recortada, teríamos já a Espanha a preparar um plano para nos transformar numa ilha, deixando-nos em mar alto, abandonados à nossa sorte. Um Portugal insular podia ser a salvação derradeira! Detesto quando deambulo nas minhas próprias invenções e as torno patéticas!

 

Onde queria chegar, ou o que tinha intenção de dizer era: estou cansado do défice, de o trazer às costas, de ouvir falar dele, de dizerem que ele se vai embora e depois ele porta-se como aquelas pessoas que estão sempre a dizer "temos mesmo que ir" e, afinal, nunca vão; em nenhum outro local se poderia falar do défice e ao mesmo tempo tão bem o caracterizar enquanto fenómeno: Praga.

 

Atenção, desabafo: por vezes, encosto-me à janela do meu quarto, ou da sala, tanto faz, e relembro os meus dias de petiz, livre... hoje, miúdos como eu fui, vão à escola de mão dada com o défice e às vezes às carranchas da crise, um género de sombra amiga que lhes dá um brinquedo para lhes ficar com o lanche!

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 15:06

15 Abril 2010

Segundo consta, em alguns meios extraordinariamente bem informados, o próximo defeso deverá ser animado por mais uma troca extremamente profissional de Luís Figo: o PS velho e gasto do intitulado Engenheiro Madre Teresa José Sócrates, que não consegue elaborar uma tramóia em paz ainda que a mesma não envolva nenhum dinheiro, tão só reconhecimento, pelo PSD novo e noviço do sempre jovial, e ex-dirigente da JSD, Pedro Passos Coelho que, ao que parece, não morre de amores pelo por todos amado Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

 

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 15:43

15 Abril 2010

 

 

Depois de vista a cor, vista tantas vezes em vinhos brancos jovens, debrucei-me no copo; fi-lo pouco convicto, quase desinteressado. Mas naquele por de bruços havia mais do que simples banalidade, muito mais; havia lima verde e toranja vermelha num tango e, como acordeão, ananás. Senti-me embalado e, na boca, a acidez equilibrada pelas notas de fruta tornou de gosto inesperado este experimentar da Beira, a Interior. A boa relação qualidade/preço insiste em nova prova, inevitavelmente menos céptica, não pensando achar o cardo do nome no corpo do vinho. 15,75

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 15:00

03 Março 2010

  

   Na boca demorava o toque de mel caramelizado de um Moscatel Roxo de 1999 e na ideia cabia tão somente mais a sua cor, de ouro, inebriante. A compota até então escondida mostrava-se revigorada ao agitar do copo, suavemente, e, não bastando a estrutura e o corpo evidenciados, no deleite do paladar cabia ainda a madeira, que já não era exterior, era parte, enlaçada num fino laivo de nata.

   Há muito que não havia em meu copo néctar tão perfumado, construção tão digna e, sucumbindo quase ao agrado desmesurado e poético, há muito que não me dava ao baloiço imberbe das sensações puras de forma tão verdadeira. Sentia-me.

   Nisto rompe o silêncio da quase perfeição o estridente e perturbante som de uma sineta de porta  velha, gasta, inútil, dilacerando num segundo o tempo que havia cristalizado. Do outro lado ouve-se: "É a Dica da Semana"!

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 15:01

02 Março 2010

  

   Ouvi falar de um partido português que parece estar dividido, um partido que tem aquela cor que geralmente associo à vitamina C e a fatos de palhaço, e fiquei triste, pois não aprecio que num partido existam várias pessoas a tentar, ao mesmo tempo, ser o seu representante; tenho dificuldades de concentração e estas distracções dificultam a tão nobre tarefa da calúnia e do vitupério. Sinto-me bolinando com vários ventos.

   A princípio pensei que depois de certa e determinada senhora sair do cargo (do assento) os candidatos iriam esperar um pouco, só para o lugar arejar. Mas isso, ao que parece, não irá acontecer, o que, de alguma forma, não deixa de me tranquilizar; quem ocupar o assento será pessoa de assaz coragem e por certo não terá traças no fato.

   Um outro facto que se me mostra como interessante é aquele que diz respeito à ruptura com o passado, nomeadamente, ao nível da farpela e do penteado. Se a senhora a quem parece que aconteceu não sei o quê enverga trajes que deixam qualquer governanta do século XIX envergonhada e ostenta penteados cujo peso advém, sobretudo, de um qualquer aerossol barato, os senhores que se propõem substituí-la não são mais do que decalques uns dos outros e as poucas diferenças entre eles são, na maioria, de carácter biológico.

   Não lhes vejo dissemelhanças que justifiquem a apregoada divisão. Aliás, entre eles e os compadres rosas pouco muda e, se por motivo não declarado, o caminho que trilham é díspar em direcção não me embaraço, dou a volta que ao fundo há um abraço.

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 15:35

16 Novembro 2009

 

 

   "(...) talvez a Ilíada não seja um livro, mas a própria ideia de literatura."

   Manuel António Pina, "Visão" - 21/04/05

 

   Talvez a Ilíada seja a ideia de ser, o substanciar do Homem. É como se a vida plena de sentido só então pudesse ser vivida, só depois de definida. A Ilíada é o passo primeiro, a obra imprescindível, a quase razão de ler.


Ideia de: Nuno Moura Trindade às 15:37

22 Outubro 2009

 

   Há quem diga que é já um músico incontornável no panorama do jazz nacional, eu apenas digo que é música a ser escutada, ouvida e entranhada, música que é música.

 

 

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 14:19

13 Agosto 2009

 

   Na Rua do Salitre, Lisboa, descobri, enquanto o sol me acompanhava numa descida à Avenida da Liberdade, uma manifestação contra o Acordo Ortográfico de invulgar originalidade. Não era um manifesto nem uma petição, era, simplesmente, um anti-Acordo ou, pelo menos, um esboço do que algo dessa índole poderia ser.

   As consoantes mudas e ao que parece só por serem mudas são discriminadas no Acordo Ortográfico, são erradicadas da ortografia e só as falantes ou sonoras ficarão (tudo isto é erroneamente simplista, mas é só para entender a ideia). Não parece justo, não parece sequer algo a acontecer no século XXI, a discriminação. Eu falo, tu falas, ele não fala, rua, acessório vil.

  

   E desde quando ortografia é transcrição fonética?

 

   Esta primeira aparição a meus olhos de um anti-Acordo foi como uma bela posta de bacalhau assado, com azeite de alho e batatas cozidas com pele, mentira, foi algo bastante bom, mas não ao nível da gustação, antes ao nível da refinada ironia, que se manifestou ainda em inquietação maior quando percebi o local onde tal aparição sucedeu, uma clínica de estética, baptizada com carinho como Clínica de Estéctica, cujos trabalhadores e quiçá proprietários deverão ser do transatlântico estado que fala e escreve uma variante do português, a que primeiro discriminou estas consoantes pouco ou nada faladoras. Não é mel a ironia?

 

 

   No fundo, este texto serve só para eu, vigésimo quinto signatário da petição contra o Acordo Ortográfico - Em defesa da Língua Portuguesa, agradecer a quem teve a coragem de não só não abolir as consoantes mudas, como para além disso ainda demonstra o seu descontentamento adicionando, ironicamente, estas mesmas consoantes a palavras que delas estavam desprovidas.

   A vós, o meu e da Língua Portuguesa, Muito Obrigado.

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 15:10

07 Agosto 2009

 

   Proponho-vos um exercício puramente hipotético, da terra das conjecturas, sítio mágico. Imaginemos que existe, numa terra onde o chão é fértil e as condições meteorológicas são agradáveis - pelo menos para aqueles acostumados às condições mediterrâneas - , um senhor, bem vestido e de boas falas, de estatura pequena, mas de largura considerável.

   O senhor em questão, que já imaginámos e, por isso mesmo, agora é posse nossa, é pessoa de bem, respeitada, por onde passe é cumprimentado por uma quase vénia, não deixando de se ouvir, numa afinação rouca, o epíteto doutor, que, como tacha, lhe está no peito fazendo-nos estranhar a postura do tronco e tempo depois voltar a estranhar, não deixando de ser estranho o facto de tanto estranhar e não entranhar. O uso de água de colónia é uma obrigação que tem consigo próprio, bem como o penteado de esquadria, o uso de camisas de riscas e com colarinho branco. Há quem ache que estas camisas são um crime, mas eu até as acho jeitosas.

   Até agora este palavreado tem mais de estéril e insípido que de mágico e isso deixa-me frustrado com uma pessoa que costumo encontrar no Café Central, a insistente da bica em chávena escaldada, da bola de berlim sem creme e da continha. Eu é que me enervo com tudo e todos, é verdade, não sou tolerante, sou intransigente e acho que uma bica como deve ser, e o português gosta, é normal, nem curta nem cheia, numa chávena que apenas devia estar lavada e arrumada, com uma colher de metal, sim cheia de microrganismos, e açúcar.

   Quanto ao senhor de que falava, ele é, para além de um excepcional chefe de família, dedicado e presente, um respeitável presidente do clube da terra, presidente da mesa da assembleia geral do rancho folclórico, director geral de uma empresa municipal que, segundo consta na barbearia, é a que trata da porcaria que todos fazemos, e eu ainda me pergunto se vale a pena cortar o cabelo de quinze em quinze dias, doutor honoris causa pelo lar da terceira idade do Fundão, sim, esta é uma terra real, presidente da associação imaginária ou hipotética de comerciantes de influências e supervisor de um banco para os lados de Viseu, outra terra real.

   O que sucede nos dias com 90 horas deste senhor e de que forma ele consegue manter a distância entre os cargos que ocupa ficará para um texto posterior, obviamente com igual teor hipotético.

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 09:31

05 Agosto 2009

 

   Ponto primeiro: Ide ver, aqui, de que forma se acende um rastilho que, a princípio, nem estava lá. Depois podereis pesquisar um pouco mais e perceber do que falo. Sim, pode parecer enfadonho, pesquisar, ler várias coisas sobre um mesmo tema, mas, no caso concreto, algum tempo passado e tratar-se-á somente uma peça de humor refinada.

 

   Ponto segundo: Um pouco por todo o lado, que não é lado nenhum, sobretudo na w.w.w. talvez seja a melhor forma de o dizer, lemos os diversos pontos de vista, as diversas opiniões, apreciamos como pessoas sóbrias conseguem escrever coisas que parecem ter sido escritas por quinhentos mililitros de vodka, rodopiamos nos raciocínios curvos (não sei se existem, se não existem inventei agora mesmo) e nas suas conclusões elípticas, no fundo, usamos a habilidade, será estranha?, de pensar e começamos a entender melhor a razão pela qual as pessoas jamais se deixarão cair na ideia de que a opinião de cada um afinal vale a medida certa para quase não ter valor nenhum. Ou seja, damo-nos demasiada importância, a nós e ao que defendemos. Talvez nem 0,0000001% do total opinativo que produzimos seja aproveitável ou até original, por isso, sejamos humildes.

 

   Ponto terceiro: Saúdo todos aqueles que contribuíram e contribuem, quotidianamente, nas variadas discussões públicas, emprestando-lhes sempre um pouco mais de demagogia, aridez e inutilidade. É um regozijo saber que haverá perenemente a marca daqueles que só têm uma direcção para o olhar: o umbigo.

 

   Ponto quarto: Se leu tudo até agora percebeu que ainda não parei de opinar, logo, nada disto que escrevi é importante, é apenas opinião. No entanto, se acha mesmo que as opiniões têm pouco valor, ou nenhum, já concorda com pelo menos uma delas, aumentando de imediato o seu valor, ou seja, dilacerando-a.

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 14:39

04 Agosto 2009

 

 

   Já li hoje que um senhor, segundo afirmam e ele corrobora, político, foi, bradem aos céus, condenado. Segundo consta serão sete anos de prisão efectiva. Obviamente haverá recurso, pois o senhor, que dizem político, afirma-se inocente dos crimes que lhe são imputados.

   É ridículo pensar, a ideia em si é quase repugnante, que alguém como este senhor, creio que é presidente de uma câmara e se não é político é algo bastante parecido, possa algum dia ter praticado, conscientemente, qualquer tipo de acto onde a honestidade não tivesse um lugar de destaque. Afinal que fazem estes senhores, políticos e similares, senão despojarem-se de todo o egoísmo, de toda a má formação? No seu juízo há um nada mais do que a ideia de bem comum.

   Aventuro-me a vociferar palavras obscenas, despindo todo este pudor que me cobre, contra tão insolente juíza, capaz desta sentença que envergonha os cidadãos, os cidadãos que votam, que expressam a convicta vontade de serem roubados por determinada pessoa. É para isso que serve a cruzinha no quadrado.

   Espero que os votantes, tenho a certeza de que existem cruzes estupendas nestas votações míopes, mostrem que Oeiras é um concelho que preza valores que não parecem querer desaparecer (normalmente o raciocínio não se desenrola assim, mas para o caso não fará notada diferença). Note-se na luta que é travada dia após dia noutros distintos municípios da nossa terra, a saber: Gondomar, Felgueiras e outros que com menos fama têm igual proveito!

   Provavelmente acabarei de escrever esta frase e irei, correndo, que a urgência não permite outro género de moção, inscrever-me enquanto eleitor no município de Oeiras. Quero votar no senhor, ouvi até dizer que é um político a sério!, Morais e mostrar ao país que a justiça é possível, nem que seja pela própria da cruz!

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 09:39

28 Maio 2009

   O dia solheiro e quente, tal como eu abomino nos dias em que uso gravata, não faria prever a insólita e, de certa forma, nublada, e daí a não previsão, situação em que me veria envolvido.

   Circulava, no meu pujante automóvel de setenta e cinco cavalos a diesel, diz quem percebe que é um excelente motor, mas para mim é lixo, a uns míseros cinquenta e nove quilómetros por hora dentro de uma localidade, pequena e quase deserta, quando uma patrulha da brigada de trânsito me pede para encostar. Não consegui deixar o carro num local onde aproveitasse uma qualquer sombra amiga, não, e quando acabasse o que quer que fosse acontecer já no meu carro se poderiam cozer broas, de milho, as melhores.

   Atordoado, dentro da cabeça desenhava espirais de cores garridas sem fim, por um calor violento, mantive-me no carro, como que embriagado ou coisa parecida. À janela apareceu-me um vulto, devido ao sol nada via e, de voz posta onde o som é grave e sério, saudou-me o senhor guarda, mas nada me deixou dizer em seguida, requesitou-me de imediato a carta de condução e o BI. O facto de estar mais ou menos num estado de indolência não me impediu de quase rir quando me foi pedido o BI. Ao que parece o senhor guarda não tem pejo no que solicita aos condutores e, mais do que isso, parece querer intrometer-se em assuntos que não lhe dizem directamente respeito, foi o que pensei, foi o que disse.

   Mais vigilante, pude reparar na expressão incrédula do senhor guarda, não estão habituados a quem os ponha na ordem. Após esta minha observação não passou muito tempo até ouvir de novo a frase: "Carta de condução e BI, por favor", isto nem frase é, onde está o verbo? Adiante. Informei-o novamente e agora com uma calma sepulcral que não admitia referências tão crassas a qualquer processo no qual eu pudesse, ou estivesse, ou talvez devesse estar envolvido. Ele, agora que penso nisso, talvez um pouquinho ignorante, disse-me que apenas queria verificar a minha carta de condução e o meu bilhete de identidade e acrescentou que se eu quisesse continuar com as "brincadeiras parvas" (sic) podia ir responder a perguntas numa qualquer comissão de inquérito parlamentar, pois lá podia dizer o que quisesse.

   Após o sucedido e em cima exposto, desabotoei o botão da camisa mais perto da garganta, desfiz o nó da gravata, que só não me sufocou porque fui eu que o fiz e sabe-se a minha habilidade para este género de tarefas, e exclamei:

   - E eu que pensava que o BI era o Banco Insular senhor guarda!

 

 

(A continuar assim daqui a uns anos sou gestor na SLN, pois)

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 15:52

26 Maio 2009

 

Vendedora de fruta (VF): Muito bom dia vossa excelência! Como tem passado?

Freguês irado (FI): Usa o vossa excelência ironicamente ou, de facto, tem-me como excelência? Não interprete de forma errónea as minhas palavras, apenas me quero certificar que nesta banca não se fazem julgamentos sumários sobre os fregueses!

VF: Ora essa, aqui, nesta banca que ao Bolhão dá a cor, julga-se tão somente a fruta. A fruta, essa sim, merece-nos a atenção, os comentários, as insinuações. No fundo, preocupamo-nos com a fruta e queremos o melhor para a fruta, ela é o nosso ganha pão, também algum vinho, confesso.

FI: Muito bem, excelente, embora eu não exagerasse no vinho.

VF: Portanto sugere a já supra citada vossa excelência que o meu comportamento denota algum abuso no que concerne ao volume de vinho ingerido? Pois se é isso que insinua, devo desde já dizer-lhe que um garrafão chega-me para uma tarde inteirinha, mesmo até às oito da noite!

FI: Obviamente o que disse em nada poderia sugerir que abusasse do licor de Baco. Apenas tentei fazer menção, indirecta, é facto, aos eventuais efeitos prejudiciais de um consumo excessivo de vinho.

VF: Vossa excelência deverá, então, ter mais cuidado com as palavras que escolhe para exprimir o que pensa. Isto aqui não é uma república das bananas!

FI: Mas que as há, há.

VF: E ainda por cima o fedelho tem a mania que é engraçado. Há bananas, mas são minhas e para si, uma vez que é todo dado a comédias, são a 25€ o kg.

FI: Parece-me que vou ficar um pouco irado e com os braços trémulos se a senhora peixeira mantém essa postura.

VF: E o maroto gosta de chamar nomes, já viram isto? Ou ouviram? Ou leram, afinal isto é um texto!

FI: Agora é que nem vejo nada, estou completamente fora de mim... Vou levar uma maçã emprestada só por causa disso.

VF: Esta juventude é sempre a mesma coisa, gatunos, mal-educados. Foge, foge... Nem sabes correr, pareces um maricas!

 

 

   Este texto é apenas para provar que, mesmo após ter assistido àquela discussão entre uma senhora de plástico e um bastãonário, ainda sou capaz de produzir um texto coerente e engraçado.

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 14:13

22 Maio 2009

   Ontem dei uso novo ao meu espremedor de citrinos de um amarelo esquálido próprio daquilo que há muito só serve quase para tropeçar. Devo confessar que foi divertidíssimo e, embora tenha destruído mais de 2 kg de papel, o que é, de facto, um acto bárbaro, provou que existem coisas que nunca são completamente inúteis.

   Descrevendo o sucedido, comecei o árduo (já vão perceber porquê) e inusitado desafio por uma compra, gastei cerca de trinta euros, mas creio que valeu a pena. Comprei dois livros: Anjos e Demónios e O Código Da Vinci. Após esta regozijante aquisição voltei a casa e, não tendo mais como conter a excitação, limpei a mesa da cozinha, que neste contexto foi a minha bancada de trabalho, e dispus sobre ela todos os instrumentos de que iria necessitar para escrever uma página dourada na história da ciência, é assim que se costuma dizer, não é?! A saber: espremedor, tesoura e os dois livros recém-adquiridos.

   Iniciei o processo que sabia que iria preencher o vazio que, na minha teoria da literatura, ainda era uma realidade dolorosa. Cortei ao meio o Anjos e Demónios e espremi cada metade com a força e o empenho que só numa missão dourada pode haver e, cinco minutos depois, tinha extraído daquele enorme calhamaço as seguintes letras: O, P e R. Sentia-me bem, cansado, mas não o suficiente para parar. Optei por não modificar o procedimento com O Código Da Vinci e, enquanto a pulsação acalmava, percebi que tinha sido menos profícua a acção do espremedor, pelo menos quantitativamente, duas letras o resultado: V e A.

   Ainda me pasmou durante uns segundos o que significavam aquelas letras, mas não havia como negar tamanha e protuberante evidência. Estas letras traziam consigo o ponto final para a minha teoria literária, cuja frase última estava incompleta e carecia de uma descoberta envolta em algum, ainda que ténue tendo em conta tudo o que havia já sido contado, mistério.

   A frase é simples, básica em estrutura, mas tem tudo de valor.

 

   O Dan Brown é parvo.

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 13:59

20 Maio 2009

   Passavam alguns minutos da hora em que, nas entradas dos edifícios com mais de três andares, se juntam as belas farpelas, os engraxados sapatos e, não raras vezes, os óculos negros que às pessoas os olhos furtam, quando, tão súbito quanto algo pode ser súbito, se aproxima de mim, vindo do lugar que não vi nem sei, um homem, de aspecto tão banal que, não fosse a encruzilhada deste parágrafo, me teria passado despercebido.

   No bolso, que logo fito, traz dezenas de notas de uns amáveis cinquenta euros, comprimidas entre si por uma ataca velha, luzindo inusitadamente. O homem, sem rodeios, como fossem eles necessários quando cheira ao óleo que lubrifica a existência!, pergunta-me de quanto preciso. Eu brinco, ou expressando-me melhor, gozo, e sujeito-me a cair estendido depois de um valente murro no estômago: "Todo! Como óbvio só pode ser". Ele informa-me, num tom grave e porque provavelmente se encharca ao fim-de-semana com Os Sopranos, que não está ali para brincadeiras. Eu tremo, com este vento deveria ter trazido um casaco, bem sei como é Lisboa, vento, vento. Digo-lhe que para mim bastam cinco mil, mas para calar os outros... Dá-me dez mil sem pensar muito no assunto e evade-se, descontraído, mas tão rapidamente quanto apareceu.

   Nos segundos que medeiam a minha devolução ao caminho anterior penso em como é agradável esta não provisão de carácter que me atira para longe a consciência. A única coisa que sinto, invariavelmente, é uma vontade imensa de comer tudo com bastante sal.

   Ao fundo da rua já vejo a sede, ali poderei lavar, com água e sabão, o bolso agora sujo. Financiamento legal de um componente essencial da democracia. Estou inchado, e basta uma assinatura!

 

   As entradas dos edifícios já estão vazias e o chão está polvinhado de beatas.

Ideia de: Nuno Moura Trindade às 13:29

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